sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Antropofagia virtual



O tempo passa.

As mentes idealizam.

Mentes conectadas criando fragmentação. 

Passatempo como fuga. Como carne, como fruta.

Como você! 

Antropofagia virtual.

Atrás da tela um ícone, um nome, um desejo te consome. Dela saem heróis.

Heróis criados, alimentados. E nós, vítimas e culpados. 

Antropofagia virtual.

Herói moderno não tem asas, tampouco voa. Equilíbrio, amor, liberdade, coragem, altruísmo: requisitos contemporâneos.

Escassez de heróis. Escassez do básico, escassez do fático, escassez de pensamento.

Nem tudo que vai, volta. 

Há recursos de via única, assim como sentimentos. A gente os usa. Usamos muito. 

Usamos tudo para jogar fora. Sobre o tapete, um dia vimos abundância, que hoje transferimos para baixo. 

Criamos um gosto pela escassez na superfície. Consumir é delicioso, até o último fragmento. 

Usar, comer, gozar.

Antropofagia virtual.

Tédio de tudo, há muito. 

As crianças tem tédio. Mal aprendem a andar e, doutrinadas, já voltam a sentar.

Falam inteiras; calam entediadas, ordenadas.

Ordem expressa é "ordem e progresso". Desenvolvimento progressivo e programático.

Programas difusos, telas indutoras. Espetáculo à parte. 

Parte da arte como espetáculo, custe o que custar.

Custa caro, mas o que é bom não tem preço, não é?

Bom é o que te faz bem, mesmo que te faça mal. 

Antropofagia virtual